Coalizão Brasil Circular
A indústria brasileira dá um passo relevante na construção de uma agenda ambiental moderna, baseada em ciência, inovação e responsabilidade compartilhada. Surge a Coalizão Brasil Circular, iniciativa que reúne entidades de diferentes cadeias produtivas com o objetivo de promover uma transição sustentável que concilie desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental.
Os plásticos são parte essencial da vida contemporânea e estão presentes em setores como saúde, alimentos, logística, mobilidade, construção civil, indústrias diversas e agricultura. Viabilizam segurança sanitária, reduzem desperdícios ao preservarem alimentos e contribuem para cadeias produtivas mais eficientes e menos intensivas em carbono. O desafio não está no material em si, como algumas iniciativas pregam, mas na forma como ele é produzido, utilizado e reinserido no ciclo produtivo.
A indústria brasileira tem avançado de forma consistente nessa agenda. Trata-se de uma cadeia ampla, com forte presença na economia real, responsável por milhares de empresas e empregos ao longo de toda a sua estrutura. Ao mesmo tempo, vem se consolidando como referência internacional em sustentabilidade, com matriz energética majoritariamente renovável e emissões inferiores à média global.
Os riscos associados a decisões desalinhadas com a realidade da cadeia industrial são relevantes, com potencial de gerar impactos econômicos expressivos, perda de competitividade e efeitos adversos sobre o emprego no setor do plástico ao longo de toda a cadeia produtiva. Esse contexto reforça a necessidade de uma abordagem coordenada, baseada em critérios técnicos, em consonância com os princípios da economia circular.
Essa agenda já se encontra em desenvolvimento. O setor industrial participa ativamente do processo de formulação de políticas públicas e reconhece a importância de marcos regulatórios estruturados. Além disso, amplia investimentos em descarbonização, inovação e eficiência produtiva, consolidando uma trajetória consistente de redução de impactos ambientais. Trata-se de um compromisso concreto com a sustentabilidade, baseado em ciência e melhoria contínua.
A economia circular é o eixo dessa transformação. Ela propõe superar o modelo linear, priorizando redesign, reutilização, reciclagem e uso eficiente de recursos. Mais do que um conceito, é uma estratégia de desenvolvimento que reduz impactos e cria oportunidades econômicas e sociais, incluindo a valorização de cooperativas e trabalhadores da reciclagem.
Defendemos que políticas públicas eficazes devem ser orientadas por critérios técnicos, como estudos de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) e análise comparativa de alternativas. Esse modelo permite preservar aplicações essenciais, como embalagens para alimentos, vacinas e transporte, ao mesmo tempo que direciona a gestão de resíduos.
A Coalizão também destaca a importância da responsabilidade compartilhada e da logística reversa, associadas a mecanismos que promovam inclusão social e incentivem tecnologias inovadoras, como a reciclagem química como complemento à reciclagem mecânica. Ampliar coleta, triagem e infraestrutura é condição central para o avanço da circularidade no País.
Nesse sentido, a Coalizão apoia políticas no Executivo e projetos no Legislativo, como o PL 1874/2022, que institui a Política Nacional de Economia Circular. Ao mesmo tempo, preocupa-se com o PL 258/2024, que trata da Política Nacional de Desplastificação, e o PL 2524/2022, que propõe o banimento de plásticos.
A indústria já conta com avanços importantes, fruto de investimentos bilionários e desenvolvimento tecnológico, gerando demanda para o material reciclado, emprego, renda e oportunidade social. Inovações regulatórias e legislativas fora do contexto brasileiro não devem provocar recuos no que foi construído há décadas, por exemplo, pela reciclagem do PET e pelos atuais e expressivos avanços em PEAD, PP e outros termoplásticos. Em suma, é preciso cautela e diálogo visando não comprometer, desestimular ou desorganizar cadeias já estruturadas.
Políticas que impactam cadeias produtivas complexas exigem base técnica sólida, avaliação de impactos e visão sistêmica. Mudanças estruturais dessa magnitude precisam considerar infraestrutura disponível, uso sanitário adequado, capacidade produtiva e comparações entre alternativas tecnológicas.
Os produtos plásticos de uso único são importantes para a segurança sanitária em ambientes coletivos, pois reduzem riscos de contaminação e garantem praticidade no uso diário, especialmente em escolas, hospitais e laboratórios. Já os itens reutilizáveis exigem higienização rigorosa, controle sanitário e infraestrutura adequada para assegurar o uso seguro. Além disso, produtos reutilizáveis podem gerar maiores custos operacionais e aumento no consumo de água e produtos de limpeza. Estudos mostram que a substituição do plástico nem sempre resulta em menor impacto ambiental, sendo necessário avaliar fatores técnicos, sanitários e de viabilidade antes de qualquer mudança.
É fundamental garantir coerência com marcos regulatórios já estabelecidos, especialmente aqueles voltados à gestão de resíduos, responsabilidade compartilhada e logística reversa. A falta de integração pode gerar insegurança regulatória e reduzir a efetividade das políticas públicas.
Abordagens baseadas em restrições generalizadas ou direcionamento tecnológico podem gerar efeitos adversos relevantes, como aumento de custos, perda de competitividade e desorganização de cadeias produtivas, além de menor eficiência ambiental.
O caminho mais eficaz é o da evolução. A Coalizão Brasil Circular defende uma agenda baseada em neutralidade tecnológica, incentivo à inovação e concorrência por desempenho ambiental. Isso significa investir em infraestrutura, fortalecer a reciclagem e desenvolver novas rotas tecnológicas.
O Brasil reúne condições únicas para liderar essa agenda, com base industrial, capacidade de inovação e vantagens ambientais relevantes. Transformar esse potencial em resultado exige políticas públicas alinhadas à realidade produtiva, à ciência e aos desafios sociais do País.
Assinam:
ABICLOR – Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados
ABIQUIFI – Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos
ABIPET – Associação Brasileira da Indústria de PET
ABIPLAST – Associação Brasileira da Indústria do Plástico
ABIQUIM – Associação Brasileira da Indústria Química
ABIFINA – Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades
ABIR – Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas
ABRAFAS – Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas
ABRAFATI – Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas
AFIPOL – Associação Brasileira de Produtores de Fibras Poliolefínicas
CFQ – Conselho Federal de Química CropLife Brasil
FIEB – Federação das Indústria do Estado Bahia
FIRJAN – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro
IBPVC – Instituto Brasileiro do PVC
SIMPERJ – Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Rio de Janeiro
SINDIPLASBA – Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado da Bahia
SINDIPLAST – Sindicato da Indústria de Material Plástico, Transformação e Reciclagem de Material Plástico do Estado de São Paulo
SINDIQUIM – Sindicato das Indústrias Químicas no Estado do Rio Grande do Sul
SINPLASC – Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense
SINPLAST-RS – Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do RS
SIQUIRJ – Sindicato da Indústria de Produtos Químicos para fins Industriais do Estado do Rio de Janeiro
